Tempo perdido

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Escrevendo, talvez consiga aliviar minha culpa pela ausência na formação de meu pequeno... Sei que o tempo não volta atrás e que nas brincadeiras que deixei de participar junto a ele não mais poderei estar presente. Aquelas se foram e, talvez, frustrações ficaram.

Sinto-me culpado por tanto dizer: “Agora não; Papai tá trabalhando”... Esqueço-me que é apenas uma criança a pedir e implorar: “Pai, vamo brinca?”; “Pai, vamo brinca!”.

Sei que me perdi nos objetivos por mim traçados na vida. Imaginava chegar aos 30 em condições financeiras estáveis o suficiente para se ter uma vida tranqüila e abastada. Chorei ao ver que, ao atingir a idade idealizada, não alcancei os sonhos plantados. Sonho de jovem; realidade de adulto... O tempo está passando e eu tentando concentrar-me nos estudos para dar uma vida mais tranqüila à minha família. Trabalho, estudo, trabalho...

Tal qual um soldado que vai à guerra por uma causa e depois acaba lutando apenas por lutar, acho que o mais duro é o conscientizar-se de que, ao dizer não, jogo fora todos os meus esforços, pois para ele – e apenas para ele – tento dar-lhe uma vida melhor. Será que ele pensa nos caprichos futuros? Ou, para ele, a melhor vida que poderia ter seria apenas o guardar em sua lembrança as inúmeras brincadeiras ao lado de seu pai? Seria melhor, um dia, ele dizer: “Tive uma vida modesta, mas o melhor pai que alguém pudesse ter”? Dúvida cruel... O sensato seria melhor equacionar os horários. Mas e o tempo que corre? Tempo que corre para os dois lados... Nessas horas gostaria de ser um verdadeiro super-herói a driblar os papeis... Será que os esforços valerão? Será que, um dia, orgulhoso de dar-lhe o melhor, ele me responderá: “Pai, não precisava tudo isso...”, a queixar-se de minha ausência?

Talvez, eu siga o destino da maioria dos avós, que se contentam em fazer pelos netos o que não fizeram pelos filhos... Será que é assim com todo mundo? Fica a pergunta; ainda não sei a resposta.

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